A Casa de Bernarda Alba

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A Casa de Bernarda Alba

Walderez de Barros comemora 50 anos de carreira,

que teve início em 1963 na Companhia de Cacilda Becker na estreia da peça Onde Canta o Sabiá, de Gastão Tojeiro.

Elias Andreato traduziu, adaptou e dirige para os palcos brasileiros A Casa de Bernarda Alba texto de Garcia Lorca escrito durante a ditadura de Franco na Espanha. O drama das mulheres nos povoados da Espanha, seu primeiro título, é um dos mais conhecidos e encenados textos de Lorca e compõe, ao lado de Bodas de Sangue e Yerma, uma trilogia que revela um cenário desalentador dos costumes da Espanha de sua época.

Bernarda (Walderez de Barros), matriarca dominadora que mantém as cinco filhas – Angústias (Mara Carvalho), Madalena (Tatiana de Marca), Martírio (Victória Camargo), Amélia (Isabel Wilker) e Adela (Bruna Thedy) – sob vigilância constante, transformando a casa onde vivem em um caldeirão de tensões prestes a explodir a qualquer momento pois, viúva do segundo marido, decreta luto de oito anos, submetendo suas filhas à reclusão dentro das frias paredes da casa, com as janelas cerradas. Completam a cena Pôncia (Patrícia Gasppar) e a criada (Fernanda Cunha).

Preconceito, vingança, fanatismo, machismo, tirania materna e padecimentos femininos, denunciam o esclerosamento social e a sobrevivência, em pleno século XX.

A trilha sonora original é composta por Daniel Maia. Os figurinos são de Fause Haten e o cenário de Fabio Namatame. Wagner Freire criou a luz, que completa a cena idealizada nesta montagem de Elias Andreato dessas oito mulheres, lideradas por Walderez de Barros, que “com brilho no olhar ocupam o centro da cena. Reinventam suas histórias poemas e cantilenas”, segundo o diretor.

A construção central do drama de Lorca – a casa na qual uma família de mulheres solitárias é controlada por uma mãe tirânica – teria sido inspirada em uma família da pequena cidade granadina de Valderrubio, onde os pais do poeta, que ali tinham uma propriedade rural, conheceram uma certa Frasquita Alba, mãe de quatro filhas, que comandava com mão de ferro, e um homem de nome Pepe de la Romilla, que teria se casado com a filha mais velha de Frasquita, somente por seu dote e, posteriormente, teria se envolvido com a mais jovem das irmãs. Dessa história real, Lorca apropriou-se da ideia de uma casa sem homens para compor o tema central de La Casa de Bernarda Alba: o lugar da mulher na sociedade espanhola.

As nossas mulheres de Lorca, por Elias Andreato

Nem todos os poetas escritores dramaturgos e compositores conseguiram definir a delicadeza e a explosão destes seres criadores geradores de tanta vida.

Quem sou eu para ter direitos exclusivos sobre elas?

Nossa vida masculina só se define ao lado destas meninas nem sempre senhoras de seus destinos. Suportam suas sinas às vezes caladas outras em desatinos pela violência de nós meninos.

Com as mulheres aprendi o valor da gentileza e da doação.

Quando o assunto é o coração só se ama e quem ama não mata não.

Aprendi também que a vida dividida alimentada com generosidade se torna a inteligência de quem se sabe soberana. A submissão impregnada a gerações tomou voz. Hoje quem define o tom e rabisca a partitura são elas.

A música já pode ser ouvida nos palácios periferias e em todas as tribos.

Eu sei que ainda são poucas neste mundo masculino de homens tão bandidos violentos e mesquinhos. Sem demagogia ou julgamento leviano participo da marcha de todas as Santas e Vadias.

Quero o nosso mundo igual sem tiranias. Que esta alquimia vire ouro nos nossos dias. Na Grécia antiga elas já foram proibidas de representar de subir ao palco para dançar ou mostrar sua alegria. Hoje são mestras na arte de atuar. Com brilho no olhar ocupam o centro da cena. Reinventam suas histórias poemas e cantilenas. Hoje são elas que escancaram nossas mazelas nossos medos nossa prepotência. São elas as nossas mulheres que falam de nossa impotência.

A CASA DE BERNARDA ALBA

Teatro Cultura Artística Itaim (303 lugares)

Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1830 – Itaim

Bilheteria: 3078-7427

Televendas – 4003-1212 www.ingressorapido.com.br

Bilheteria: terça e quinta, das 15h às 19h. Sexta e sábado das 15h até o início do espetáculo. Domingo das 14h até o início do espetáculo. Aceita todos os cartões de crédito e debito. Estacionamento conveniado no local, R$ 16.

Sextas às 21h30 | Sábados às 21h | Domingo às 18h30

Ingressos: Sextas e Domingos R$ 50 / Sábados R$ 60

Duração: 90 minutos

Recomendação: 14 anos

Gênero: Drama

Pré-estreia para convidados e imprensa: dia 11, quarta-feira, às 21h30

Estreia dia 14 de setembro

Temporada: até 1º de dezembro

Ficha Técnica:

Texto Federico García Lorca

Tradução, Adaptação e Direção Elias Andreato

Elenco

Walderez de Barros Bernarda

Patrícia Gasppar Poncia

Mara Carvalho Angustias

Victória Camargo Martírio

Bruna Thedy Adela

Tatiana de Marca Madalena

Isabel Wilker Amélia

Fernanda Cunha Criada

Cenário Fabio Namatame

Figurino Fause Haten

Iluminação Wagner Freire

Trilha Sonora Daniel Maia

Assistente de Direção Leandro Goddinho

Preparação Vocal Jonatan Harold

Preparação Corporal Gustavo Malheiros

Programação Visual Vicka Suarez

Fotos João Caldas

Produção Executiva Egberto Simões

Produtoras Selma Morente e Célia Forte

Realização Morente Forte Produções Teatrais

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