A Língua em Pedaços

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Centro Cultural Banco do Brasil

apresenta

 Ana Cecília Costa e Marco Antônio Pâmio

 em

A Língua em Pedaços

De Juan Mayorga

Direção Elias Andreato

Estreia dia 09de Maio no CCBB SP

 

Um espetáculo comemorativo do V centenário de nascimento de Teresa d’Ávila, santa e poetisa espanhola. A peça, baseada em O Livro da Vida (1565), autobiografia de Teresa d’Ávila, mostra um fictício embate entre a carmelita e o Inquisidor que a acusa de subversão e heresia. O texto de Juan Mayorga, agraciado em 2013 pelo Ministério da Cultura espanhol com o prêmio de melhor texto de literatura dramática, é inédito no Brasil e tem direção de Elias Andreato que afirma que “Teresa fala de amor. O teatro é o altar dos deuses amorosos. Teresa fala com o seu amado e derrama este amor para que possamos suportar nossa trajetória em direção à luz.”

Além de mística e poeta, Teresa d’Ávila foi uma mulher de ação, fundando dezessete conventos de Carmelitas Descalças em toda Espanha. Como acontece com toda pessoa que está à frente de seu tempo, sobretudo tratando-se de uma mulher, foi mal compreendida e perseguida pelos setores conservadores da Igreja e da sociedade espanhola do final do século XVI. A Língua em Pedaços dá ao público brasileiro a oportunidade de conhecer melhor, no V centenário de seu nascimento, a vida e o pensamento daquela que é considerada uma das maiores personalidades femininas do segundo milênio.

O espetáculo acontece na cozinha do Mosteiro São José, primeiro convento de Carmelitas Descalças fundado por Teresa (Ávila, 1562). A ação concentra-se no confronto entre a monja carmelita e o Inquisidor, duas personagens de mentes brilhantes, porém com distintas percepções teológicas. De um lado, temos uma mulher de coragem, que está sendo acusada de profanação por suas experiências místicas (visões e arrebatamentos) e pela cisma que promoveu na Igreja Católica. Do outro lado, está um homem de mente aguda, farejador de hereges, representante do poder eclesial. Ao Inquisidor (e ao público de hoje) cabe a desafiadora tarefa de tentar decifrar ou render-se ao enigma Teresa d´Ávila.

Idealizadora do projeto, Ana Cecília Costa afirma que intuição a levou até Teresa D’Avila um ano antes da celebração do V centenário de seu nascimento. Comprei sua autobiografia e desejava voltar a atuar em teatro. Depois da leitura, quis levá-la à cena. Me atraía o mistério de sua intimidade com Deus, a sua figura extremamente humana e atravessada pelo Sagrado. Quis que a sua palavra cheia de coragem e poesia fosse ouvida no teatro, um lugar também sacralizado e político” conta a atriz.

Teresa d´Ávila escreveu, ao lado de São João da  Cruz,  o  melhor  da  poesia ascética e mística de língua espanhola. Ambos pertencem ao chamado Século de Ouro na Espanha, época que abrange do Renascimento do século XVI ao Barroco do século XVII.  Santa Teresa é patronados escritores de língua espanhola e considerada um dos maiores patrimônios culturais da Espanha, sua autobiografia O Livro da Vida é o clássico literário mais lido neste país depois de D. Quixote, de Cervantes.

“Teresa aparece-nos como uma personagem contracorrente, prematura em seu próprio tempo e no nosso. Por isso mesmo, Teresa é necessária. Seu interesse para os dias atuais independe de crença. Mesmo um ateu, que não acredita em sua mística, pode se sentir fascinado pelo ser humano Teresa. Pode e deve sentir-se tocado por essa personagem. E sempre será menos importante o que dizemos sobre Teresa do que ela possa dizer sobre nós” (Juan Mayorga)

 

Sobre Juan Mayorga

Nascido em Madrid em 1965, formado em Filosofia e Matemática, dedicou- se a história da Arte e Estética. Ensina dramaturgia e história das ideias na Real Escuela Superior de Arte Dramático de Madrid. Mayorga é um dos dramaturgos europeus contemporâneos mais representados no teatro. Sua dramaturgia é profunda, comprometida e metódica. Autor de inúmeras peças, textos teóricos e poesias. Estreou ou publicou os seguintes textos para teatro: Siete hombresBuenos (1989), Más ceniza (1992), O Tradutor de Blumemberg (1994-2000), Concierto Fatal de la Viuda Kolakowski (1994), El hombre de Oro (1996), El Sueño de Ginebra (1996), El Jardín Quemado (1998), La Mala Imagen (1997), Legión (1998), La Piel (1998), Amarillo (1998-2000), El Crack (1998), Angelus Novus (1999), Cartas de Amor a Stalin (1998), La Mujer de Mi Vida (1999), BRGS (2000), El Gordo y el Flaco (2001), La Mano Izquierda (2001), Una Carta de Sarajevo(2001), Encuentro en Salamanca (2002), La Biblioteca del Diablo (2001), Camino del Cielo(2002), El Buen Vecino (2002), Sonámbulo (A partir de Sobre los Ángeles, de Rafael Alberti; 2003), Animales Nocturnos (2003) e Tres Anillos (2004) Himmelweg (Camino del cielo) (2003), Ultimas Palabras de Copito de Nieve (2004), Hamelin (2004), La paz perpetua (2007), La tortuga de Darwin (2008). Entre outros prêmios obtidos pelos seus textos, estão: Teatro Nacional (2007), Valle (2009), Ceres (2013), La Barraca (2013), Nacional de Literatura Dramática (2013). Ganhou ainda o prêmio Max como melhor autor (2006, 2008 e 2009) e melhor adaptação (2008 e 2013). Sua obra O cara na última linha foi adaptado para o cinema por François Ozon no filme Dans la maison (Shell de Melhor Filme e Prêmio do Júri de Melhor Roteiro no Festival de San Sebastian 2012).

 

Sobre Ana Cecília Costa

Iniciou sua trajetória como atriz em Salvador, onde participou das montagens O Santo Inquérito, O Despertar da Primavera e Em cima da terra, embaixo do céu, montagem de final do curso livre de Teatro da Universidade Federal da Bahia em 1989. No teatro carioca participou, entre outras, das montagens: Brida; Jekyll-Hyde; O Resto eu não sei; Passeio pelo Expressionismo; Drama das Estações. Desde a década de noventa, tem atuado consistentemente nas diversas emissoras do RJ e SP: Globo, SBT, Record, Bandeirantes. Suas últimas personagens na TV Globo como Dona Virtuosa (Cordel Encantado, 2011), Gaia (Jóia Rara, 2013) e Isabel Macedo (A Teia, 2013) receberam elogios da crítica especializada. Morou em Berlim, onde protagonizou em alemão, a peça Hahnemkamme, junto ao grupo de teatro TeatrKreatur. No cinema, a atriz ganhou prêmio Contigo 2012 (júri popular) de melhor atriz coadjuvante pela atuação como Dalva no longa metragem Capitães da Areia. Ana Cecília é Bacharel em Cinema (Estácio de Sá/RJ) e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC/S P.

 

Sobre Marco Antônio Pâmio

Ator, diretor, tradutor e professor de teatro, iniciou sua carreira em 1982, no primeiro elenco do CPT (Centro de Pesquisa Teatral), dirigido por Antunes Filho, participou das montagens de Romeu e Julieta (prêmio APCA 1984 de ator- revelação, como Romeu), Macunaíma e Nelson 2 Rodrigues. Turnês em festivais na Austrália, Estados Unidos, Espanha, Alemanha e Israel. Seus últimos trabalhos são Ou você poderia me beijar (Neil Bartlett); Operação trem-bala (indicado ao Prêmio APCA 2013 de melhor ator), O Terraço (Jean – Claude Carrière); Macbeth(Shakespeare). Dirigiu, entre outros, Assim é (se lhe parece) de Pirandello, indicado ao Shell 2013 como melhor direção; Carícias, Morrer ou não de Sergi Belbel; Amor e restos humanos de Brad Fraser. Recebeu o prêmio APCA de melhor ator em Edmond, no papel título e teve várias indicações por outros papéis ao prêmio Shell e APCA como melhor ator do teatro paulista.

 

Sobre Elias Andreato

Um dos artistas mais premiados da cena brasileira, Andreato trabalha no Teatro, TV e Cinema desde a década de 1970. Entre outras, atou nas peças Lua de Cetim (Alcides Nogueira), A Gaivota (Tchekov), Édipo Rei (Sófocles), O Avarento (Molière) e nos solos Van Gogh, Andante e Doido. Com Sexo dos Anjos ganhou os prêmios Shell, APCA e APETESP de melhor ator; com Van Gogh ganhou os prêmios Shell e APETESP de melhor ator; Prêmio Cultura Inglesa de melhor ator por Oscar Wilde e Prêmio APCA de melhor ator por Doido. Dirigiu grandes atores do teatro brasileiro, entre eles Paulo Autran, Walderez de Barros, Juca de Oliveira, Ester Góes e Irene Ravache. Alguns espetáculos que dirigiu: Três Versões da Vida (Prêmio Qualidade Brasil de melhor direção); Os Fantástikos; Eu não dava praquilo (solo com Cassio Scapin); Jocasta (solo com Debora Duboc); Cruel (de Strindberg, com Reynaldo Gianecchini, Erik Marmo e Maria Manoela); Camille e Rodin (com Melissa Vettore e Leopoldo Pacheco); Mirna Sou Eu (solo com Nilton Bicudo); Rei Lear (solo com Juca de Oliveira); Meu Deus! (com Irene Ravache e Dan Stulbach) e Elza e Fred (com Suely Franco e Umberto Magnani).

 

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